Estrutura da Feira do Livro está sendo montada na Praça Maria Aragão
No Espaço Cultural funcionará o Espaço do Livro, onde cerca de 60
estandes, com estrutura adequada e ambiente climatizado, reunirão
editoras, livreiros e artesãos para exposição e venda de cerca de 70 mil
títulos e produtos regionais.
“Adotamos um intenso ritmo de
trabalho, que iniciou há vários meses, para que nenhum detalhe escape ao
que foi planejado e para que possamos estar à altura das tradições
literárias de São Luís”, garante o coordenador geral da Feira, José
Maria Paixão.
O patrono e a poesia
Este
ano, a Feira tem como patrono o poeta, cronista, jornalista e membro da
Academia Maranhense de Letras (AML), José Chagas. Além do patrono,
também serão homenageados o teatrólogo Aldo Leite, a professora Sônia
Almeida, o cantor e compositor João do Vale e o professor e escritor
Mário Meireles.
A escolha do patrono influenciou diretamente na
escolha do tema “Poesia”, já que José Chagas reverencia bem, por meio de
suas poesias, a nostalgia expressa nos casarões, mirantes, azulejos,
pedras de cantaria e becos, levando o leitor à reflexão sobre o passado e
a atual visão social, política, cultural e patrimonial da cidade.
Dessa forma, a campanha criada para este ano levará a frase “Dos
mirantes da memória aos becos da saudade, São Luís, revela a tua
poesia”, onde a proposta é convocar antigos e jovens poetas a perdurar a
tradição literária da cidade.
“A ideia é trazer à tona a poesia
tão bem representada pelos seus antigos poetas, que hoje anda esquecida
pelos jovens desta cidade. É trazer de volta a nostalgia expressa em
seus casarões, azulejos, pedras de cantaria e becos, para que continuem a
inspirar novos poetas e para que, também, respirem a poesia que São
Luís exala”, assegurou o presidente da Func, Euclides Moreira Neto.
Durante os dez dias, a programação contará com a realização de
seminários, encontros, oficinas, cursos, rodas de conversa, lançamentos e
relançamentos de livros, exibição de filmes e programação especial para
o público infantil e juvenil acontecendo simultaneamente em espaços
diferentes, no horário das 14h às 22h.
Os leitores de São Luís
terão a oportunidade de visitar os estandes das mais conceituadas
editoras e livrarias do Brasil durante a Feira do Livro. Além da maior
oferta de títulos que estarão em exposição, o público poderá assistir a
lançamentos e re-lançamentos de livros e bate-papos com os escritores.
Entre as editoras que confirmaram presença estão: Senado Federal,
Ática/Scipione, Barsa Planeta, Cortez Editora, Paulus, entre outras.
Escritora pernambucana é atração
A escritora pernambucana Luzilá Gonçalves Ferreira será uma das
atrações da 5ª edição da Feira do Livro de São Luís. Ela participará do
evento no dia 26 (sábado), às 18h, no Auditório José Chagas, em um
bate-papo sobre a sua trajetória literária; e às 20h, na Casa do
Escritor, relançando os livros Deixa ir meu povo (romance) e Pedaços
(crônica).
Luzilá Ferreira descobriu a literatura por volta dos
dez anos de idade. O mais curioso foi o que provocou essa descoberta: o
sarampo. Doente, a mãe de Luzilá decidiu isolá-la das outras irmãs para
que não houvesse transmissão da doença. Sozinha no quarto, deparou-se
com os livros deixados pelo irmão mais velho, que havia se casado
recentemente. “Comecei pelo Sofrimento do jovem Werther, de Goethe. E
segui lendo outros clássicos da literatura que havia lá. Não entendia
quase nada, mas, ainda assim, foi uma descoberta fascinante”, relembrou.
A partir daí, a jovem Luzilá passou a se questionar sobre o poder que a
palavra possui. “Talvez venha desse questionamento minha vocação para o
magistério”, destaca. Daí em diante, a escritora passou a se dedicar,
ainda mais, aos estudos e às leituras. E, quando começou a escrever, o
fez de forma tímida, como ainda hoje acontece. “Eu sempre tenho que ter
algum motivo, seja uma conversa que ouço, um fato repentino, um perfume.
Qualquer coisa que rompa com a rotina”, disse ela.
A escritora
Natural de Garanhuns, interior de Pernambuco, Luzilá é escritora,
professora e doutora em Estudos Literários pela Universidade Paris 7.
Publicou, no gênero de estudo das mulheres, "Em busca de Thargélia"
(1992, 1996), "Suaves amazonas, mulheres e abolição no Nordeste" (1999),
e duas biografias: "Lou Andrea Salomé: cinzas no jardim" (1982), e
"Humana demasiado humana" (2000). Organizou e traduziu ao lado de Didie
Lamaison o título "Poésie e La machine du monde" antologias de Carlos
Drummond de Andrade (Gallimard, 1990, 2005) e "Dans la nuit véloce", de
Ferreira Gullar (Ed. Carvalho, Paris, 2005). Publicou também: "Pedaços,
crônicas" (pela editora Bagaço, 2010) e seis romances: "Muito além do
corpo" (Scipione, 1987, Néctar 2008), "A garça mal ferida" (Lê, 1993,
2009), "Voltar a Palermo", (Rocco 2002), "No tempo frágil das horas"
(Rocco, 2003), "Deixa ir meu povo" (Calibán, 2010).
FONTE; jp